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filme: tresleituras de cavell

  Ronald Augusto Photograph and Screen 3   A imagem do mundo ou do conjunto de objetos representados em uma pintura tradicional não ultrapassa os limites da moldura. Não seria razoável perguntar pelo que há para além desses limites, isto é, se a imagem continua além do quadro, pois, de acordo com Cavell, a pintura é um mundo autossuficiente. Cavell afirma que a fotografia, por seu turno, faz outro caminho; por ser do mundo, a câmera da fotografia o recorta deixando de fora do nosso campo de visão uma porção infinita (indeterminada) da realidade. Uma fotografia é como uma peça de um quebra-cabeça, mas que jamais será montado, uma vez que “a câmera, sendo finita, corta uma porção de um campo indefinidamente maior” [ The camera, being finite, crops a portion from an indefinitely larger field ]. Se cada fotografia é uma peça desse virtual quebra-cabeça, então cada vez que a câmera corta determinada quantidade da realidade o quadro completo da realidade fica mais distante de ser alcanç
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O gesto sensível do mundo: o que não está no mapa

  O gesto sensível do mundo : o que não está no mapa Ronald Augusto [1]   Lançado em 2017, Percurso onde não há , livro de Denise Freitas, foi um dos finalistas do Açorianos de Literatura na categoria poesia. Naquele ano, João & Maria, dúplice coroa de sonetos , de Leonardo Antunes, mereceu o troféu de vencedor.  Por uma feliz conjugação de acontecimentos, a poeta, agora com um novo conjunto de poemas intitulado O gesto sensível do mundo – prefaciado, inclusive, pelo mesmo Leonardo Antunes –, foi quem recebeu o Açorianos pela autoria do melhor livro de poesia lançado no RS em 2021. Dois volumes magros reunindo cada um deles feixes de poemas de um intrigante lirismo à beira do intransitivo. Mas o recente conjunto se difere um pouco do anterior por apresentar formas de linguagem e andamentos mais afeiçoados a uma determinação pela discursividade. Um pervagar narrativo também assoma à superfície dos versos. As epígrafes extraídas da Divina Comédia e do Grande sertão: veredas ,

Oficinas literárias para quem?

  Oficinas literárias para quem? Ronald Augusto Começo essa análise apresentando um conjunto de imagens relativas a um tipo de prática hoje bastante comum na economia do sistema literário. Tal prática, de caráter pretensamente formativo, já que objetiva preparar o interessado tanto para o artesanato da escrita literária propriamente dita, como para as demandas do mercado livreiro-editorial, é conhecida como  oficina de criação literária  ou  oficina de escrita criativa . Adianto que todas as imagens representam por metonímia – em sua redundância infelizmente cotidiana – uma quantidade expressiva de materiais de divulgação de pequenos empreendimentos empresariais ou autônomos voltados à capacitação de pessoas dispostas a conquistar lugar e algum reconhecimento na área da literatura. Seguem as imagens.                              É preciso dizer que optei por selecionar apenas imagens em que houvesse a figuração ou a presença de pessoas, modelos, partes do corpo de modelos etc, dentro d