Pular para o conteúdo principal

Postagens

Mostrando postagens de Janeiro, 2010

Tina Turner: Beyoncé avant-la-lettre

Não é preciso despender grande esforço para concluir que Tina Turner ( circa 1980), serviu muito bem de prefiguração aos nossos dias da cantora Beyoncé que, por ironia, tem em sua carreira o single “Déjà vu” (2006). Entretanto, Tina, devido às suas características vocais, tem mais a ver com o rock (migrou do R&B para este gênero), e sua biografia parece ser mais acidentada — para não dizer dramática —, ficando por isso mesmo nas antípodas da atual representante do R&B de acento entre rap e pop. A vida de Beyoncé, ao que se sabe, tem todos os ingredientes para ser definida como a de uma patricinha, em que pesem as referências ao racismo de que se ressente no país de Obama, referidas pela cantora, filha do estado do Texas. O certo é que não teve grandes frustrações. De resto, muitas coincidências podem ser invocadas para um possível cotejo entre as cantoras. Por exemplo, Beyoncé e Tina lembram por contigüidade: condenação às convenções do sex-appel ; iconofilia gestual à manei

desenho de uma ideia

baudelaire & baudelaire &

& baudelaire & Há o poeta Charles Baudelaire e o crítico e esteta Charles Baudelaire. Mas há ainda o poeta-crítico Charles Baudelaire. Sua poesia e a dos seus contemporâneos, mais a arte do seu tempo, são o alvo de sua prática e reflexão. Alguns exegetas dessa obra desenvolvida, digamos assim, em duas frentes, sustentam que as abordagens críticas do poeta seriam mais avançadas que sua atividade poética. O cotejo entre as duas formas de discursos, visando a ratificar tal suposição, talvez seja descabido. No entanto - e aqui cometo uma inconfidência - , no meu caso, o contato com seus ensaios, sempre geniais, me conduziu a uma reconsideração mais atenta da sua poesia que, a princípio, tomando por base primeiras leituras, não havia me perturbado, pois ela não parecia representar a figura do moderno que o Baudelaire, crítico cultural, me ensinara a apreciar, e que tão definitivamente plasmara o pensamento das gerações que lhe sucederam. Mas, a figura

quem é o cara?

arthur bispo do rosário (1909 ou 1911-1989) A motivação primeira de quem faz um curso ou oficina de criação textual é muito simples: o intuito é o de averiguar a real qualidade dos escritos que talvez há muito tempo o nosso iniciante venha fazendo em segredo e com certa vergonha, como se cagara, para lembrar a metáfora de João Cabral de Melo Neto. Esse ímpeto é mais poderoso do que, por exemplo, ampliar os conhecimentos sobre a arte da poesia. Enfim, a maioria quer saber se têm jeito pra coisa. Se o que escreve presta ou não. Infelizmente, não há resposta cabal para essa angústia. Primeiro porque, como afirma W. H. Auden, o percurso textual do verdadeiro artista denuncia um progressivo senso de dúvida. Isto é, quanto mais experiência ele adquire mais incerto o nosso herói se sente com relação à qualidade e ao alcance do seu trabalho. Mesmo a palavra do “ministrante” (expressão terrível), não será inteiramente de confiança. Muitos autores consagrados falharam na avaliação de sujeit