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Mostrando postagens de Setembro, 2015

A indústria do vanguardismo pós-tudo

[joan brossa e um de seus poemas visuais]

Cada vez mais me parece interessante experimentar uma suspeita reflexiva com relação a uma ideia que, aqui e acolá, insiste em aparecer em alguns textos ou comentários críticos. Trata-se da ideia que estabelece similitudes entre vanguarda e progresso. Um vício diacrônico, além de messiânico, serve de nutrimento a uma noção de vanguarda enquanto conquista de territórios, acúmulo de feitos num ensaio de totalizações. Movimento que visa a uma etapa final ou a um éden. Vanguarda que se apresenta como ponto de otimização da história. Devir utópico calcado sobre linearidade progressiva, causal. Um dogma: a vanguarda não corre o risco de infectar-se com o vírus do retrocesso. Talvez no âmbito da estratégia dos exercícios de guerra, ou mesmo na arena da politicagem estético-literária, tudo isso ainda faça algum sentido, pois aperfeiçoamento pressupõe a aceitação de exclusões e obsolescências cujo questionamento — a bem de um “mundo transformado”, digam…