Pular para o conteúdo principal

Postagens

Mostrando postagens de Novembro, 2009

atores pensando

fotograma de "quando fala o coração", de alfred hitchcock Poesia e prosa são as duas faces da moeda da arte da palavra. Um poeta deveria conhecer o mínimo indispensável no que concerne à prosa, por outro lado, o mesmo procedimento (no caso o movimento em direção à poesia) deveria ser adotado pelo prosador. Essa conjunção tem resultado em grandes experiências: a poesia modernista se precipita em direção a uma forma mais vertiginosa de prosa por meio do coloquial; romancistas como James Joyce e Guimarães Rosa foram também poetas de primeira linha. É importante incorporar as virtudes das demais linguagens. Pois, antes de virar, de uma vez por todas, cinema ou ação pura (como nos sugere a prática de muitos recentes prosadores), a prosa deveria confinar um pouco mais com a sua oposição complementar, isto é, a poesia. Mas o quadro aqui esboçado tem a ver com as determinantes de um tempo audiovisual. Entretanto, a prosa também não despreza as questões formais. O que acontece é

analistas fanfarrões

Recentemente, um crítico maledicente escreveu — mais ou menos nestes termos —, que diante do suposto desprestígio experimentado pela poesia concreta em nossos dias, já poderíamos pôr de lado, enfim, o nome de Max Bense. A opinião do comentarista denuncia no mínimo uma forma sutil de covardia intelectual. Pois se Bense ― supondo que tenha sido mesmo uma impostura ― só mereceu estar na ordem do dia do pensamento estético das últimas décadas mercê da militância concretista, e, além do mais, sem que ninguém demonstrasse peito suficiente para se contrapor a isto, mais indigente se revela ou se revelaria, então, o establishment literário e cultural do período. De outro ponto de vista, o argumento ardiloso do crítico desconsidera um traço de extrema importância do movimento da poesia concreta. Vale dizer, junto aos importantes poemas legados pelo movimento, muitos dos quais já incorporados, inclusive, ao acervo poético das últimas décadas, consta o repertório teórico-crítico trazido pelo

clowndaniel

Um dos defensores obtusos da poesia concreta enquanto mero ismo , e no momento talvez o eunuco mais ativo dos “irmãos Campos”, chama-se Cláudio Daniel. É, no mínimo, engraçada a sua trajetória de poeta e de crítico, supondo que o meu desafeto — ele me inclui entre os bárbaros que escrevem para Sibila — mereça ser assim apontado nas ruas. Somos, mais ou menos, da mesma geração e, portanto, devido a essa contigüidade acompanhei desgraçadamente seus primeiros passos de afirmação e de tentativa de reconhecimento entre os seus iguais. Se a memória não me engana, na década de 1990 assinava uma coluna no Poiésis , tablóide, já à época kitsch , de literatura e afins, publicado no Rio de Janeiro. Notável também, daquele ponto até aqui, sua perseverança num modo de abordagem das questões poéticas, sejam anteriores ou atinentes ao período, que consistia e consiste em reprisar os pontos de vista dos seus mestres dentro de um caminho já devidamente pavimentado por eles ou por outros seguidores