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Mostrando postagens de Fevereiro, 2011

a cidade à beira do arqvivo

A poesia ocupa um lugar anterior ao surgimento da cidade. Para esta, a poesia seria a representação do atraso, a música do mundo agrário e ágrafo, povoado de bestas mitológicas e divindades bárbaras. A poesia, espécie de pensamento teocrático, finge o deus a quem tão devotamente dessacraliza. O cidadão comparece nessa cena como o hipócrita leitor baudelairiano, mentalidade pública, o caroço mesmo da democracia. Mas “em algum lugar da utopia, ou do ativismo político, operou-se o divórcio entre dirigente e dirigido, entre governo e povo” (Mirko Lauer). A cidade deixa de ser a concreção da possível arte da política e é rebaixada à condição de ruína glamourizada, monturo, despojo dos conflitos ideológicos. Um poema de verdade, poema bom, dizem, parece falar de tudo e de nada ao mesmo tempo, seja quando fala da luz de uma nuvem, do baque de uma onda, ou do inexistente. A memória flui e reflui como uma invenção da poesia; e o imaginário se configura num elemento fundamental perante

No assoalho duro: o movimento da escolha

por Denise Freitas (*) Nas abordagens dedicadas aos debates acerca de literatura há que se propor, entre outras, discussões referentes à atuação da crítica; considerando nela seu papel de ordenação geral ou seleção. Mesma definição com que Ezra Pound, no livro ABC da Literatura , constitui um de seus argumentos, ao colocar o valor da crítica, antes na qualidade de suas escolhas, do que na excelência de seus argumentos. Contando que não haja “medidas idênticas para duas pessoas” cabe ao crítico tirar suas próprias conclusões a respeito de um texto. A partir daí, talvez, que toda leitura aponte para a configuração de uma crítica; ou, que a primeira apresente já como sua condição uma aproximação em relação à segunda, pelo menos entre leitores com mais acuidade. Em se tratando de poesia, o medíocre, no fim das contas, é sempre o mesmo em toda parte, ou, se encontra nele um mesmo nível de fraqueza, identificado, por exemplo, no uso excessivo, demasiado de palavras. Numa tentativa de inv