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Mostrando postagens de Dezembro, 2011

onde não há facilidade

Para o leitor, o poema se apresenta, numa primeira aproximação, como que vertido em língua estranha, mas ao mesmo tempo remotamente familiar. Na comunicação poética, a imagem da leitura como algo rente ou similar à operação tradutória se impõe de modo decisivo. A comunicação poética pressupõe certa dose de intraduzibilidade, de hermetismo, a partir de uma condição de limite disciplinador imposto pelo jogo de relações requerido pelo poema. Mas tal dilema – a razoável impenetrabilidade da poesia – se resolve, por outro lado, no momento em que o leitor-poeta assume a responsabilidade pela co-autoria daquele texto, por meio de um gesto de interpretação livre. Espécie de tradução-leitura envolvente convertida em transcriação (para usarmos aqui um conceito de Haroldo de Campos). É desde esse ponto de vista que me disponho a ler os poemas em processo que Denise Freitas, desde 2010, vem publicando em seu blog http://www.sisifosemperdas.blogspot.com/ . Com efeito, a menção lateral que