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Mostrando postagens de Março, 2009

depois do carnaval

rosa marques: www.verbavisual.blogspot.com Que outras considerações poderiam ser feitas a respeito do carnaval que escapassem — fico nos exemplos extremos — tanto do elogio à maneira de Jorge Benjor no tocante ao tema, como da flânerie analítica do sociólogo irresoluto entre uma precipitação rematada à esquerda e a fleuma do esclarecimento a propósito do seu objeto de estudo? Confesso que não pretendo responder à pergunta, que é retórica. Aliás, não sendo partidário nem da visão do conhecido cantor e tampouco da apetência científica do virtual scholar , o que me resta é proceder a uma interpretação cega, tateante e por esboços, compreendendo que a hipótese de um conteúdo comunicável, de um discurso pretensamente racional e completo em torno ao assunto em apreço — seja anterior ou posterior à fatura mesma deste ensaio —, seria um absurdo contraproducente na dinâmica desse modo de pensamento tão caro a Heidegger (e com que me afino), ou seja, pensamento este que não pretende produzir

em resposta a uma solicitação feita por edson cruz

1) Edson Cruz: o que é poesia para você? Ronald Augusto : Não faz muito tempo eu tinha muitas certezas a respeito desta questão. Hoje, tenho não sei quantas dúvidas. Ainda acho que o conceito de invenção pode vir a colaborar numa eventual definição que se ensaie a propósito do gênero, mas já não tenho um apetite tão grande para, digamos assim, me solidarizar de modo indiscriminado com os adeptos da invenção. Aqui e acolá a todo instante se publicam livros que pretendem reunir o melhor da invenção surgido na última estação. Em poesia invenção virou commodity . Ou bolha especulativa. Mas, poesia não é apenas invenção. Em muitos poemas velhos a beleza está mesmo nessa condição do texto que envelheceu onde podia envelhecer. Em poesia a reiteração talvez seja até mais valiosa que a invenção. Uma resposta mais objetiva à pergunta poderia ser proposta nestes termos: não sei, eu escrevo poesia na perspectiva de que cada poema realizado possa levar acesa em seu bojo essa questão. 2) EC: o q