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Mostrando postagens de Abril, 2018

traços de anelito de oliveira

O pensamento-arte de Traços Ronald Augusto [1] A história das ideias registra algumas ocorrências, mas não muitas, de estudos devotados a investigar as relações entre poesia e filosofia. A julgar pela escassez dos empreendimentos críticos relativos ao tópico, talvez cheguemos à conclusão de que a tarefa seja, de fato, árdua ou, ao contrário, perfeitamente desinteressante. Uns poucos filósofos (María Zambrano, Theodor Adorno, Benedito Nunes...) dispensaram atenção ao problema e outros poucos escritores mais ironizaram a coisa do que a levaram a sério. Jorge L. Borges, por exemplo, diz que a filosofia não é senão um gênero literário. Para Ezra Pound, a logopeia – a dança do intelecto entre as palavras –, essa forma, entre outras, de carregar a linguagem de significados, oferece ao poema as condições para que ele se desvele como um experimento também filosofal; que o poema instaure o seu modo de filosofar. A verdade é Que o mundo Não cabe dentro Do silêncio Em al

onde ogum limalha

o ogum a quem devoto um ou outro oriki não empunha espada, não nem é espadaúdo tal qual os semideuses da marvel entretenimento nem tem a musculatura de estopa dos grandalhões do cinema mudo rabo-de-lagarto, pontuda planta de mosqueado verde quando é dita de ogum grossa, com borda de ouro quando é dita de iansã é o análogo com que ogum se deixa conceber a quem exige que pose com espada premida na palma em brasa ogum não se paramenta de soldado medieval o vermelho e o verde sabem sempre a ogum elmo, guante de dragão são saliências de cristão com que ogum não se arruma bananeira de pendão rubro um galo e seu esporão de ferro uma folhagem escarlata chamejante que estala uma figueira e seus galhos de tenazes o ferrão da bigorna onde ogum faísca onde ogum limalha

para dona ivone

[como ficou] oriki para dona ivone samba o miudinho devagar demoradinho abala a cartografia do terreiro que desborda o cavaco não cochila no colo da mãe grande avisa lá no império é ela que risca o tapete desde já a velha vanguarda masculina do samba não se presta mais ao mero filosofar do caralho * [como era] oriki para a dona ivone samba o miudinho devagar demoradinho abala a carta geográfica da terra não dorme o cavaco no colo da mãe grande avisa lá no império que era uma vez que a velha guarda masculina do samba desde então não é mais aquela