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Mostrando postagens de Julho, 2016

Qual é a da Feira?

Escritores brancos na 62ª Feira do Livro de Porto Alegre: quantos e quais? Ronald Augusto Em vista dos últimos acontecimentos referentes ao debate que procurei estabelecer publicamente com a organização da 62ª Feira do Livro de Porto Alegre, e considerando que as respostas obtidas em relação à participação de escritores negros na edição de 2016 sugerem um suposto clima de tolerância e diversidade sempre respeitados pela Feira e que, portanto, o mais interessante (para a coordenação do evento) seria aguardar e aceitar de bom grado a visibilidade até aqui “conquistada” – visibilidade entre secundária e ecumênica, pois a Feira estaria comprometida tanto com a qualidade, quanto com a acolhida geral de escritores de todas as raças e etnias – em outras palavras, mesmo a limitada presença de escritores negros tanto nessa, bem como em programações anteriores, ao longo dos sessenta e poucos anos de existência da Feira do Livro, mesmo isso, do ponto de vista dos organizadores, seria melho

O soft em Racismo no Brasil e afetos correlatos

O soft em Racismo no Brasil e afetos correlatos Ronald Augusto [1] A recusa ao debate público sobre fraturas sociais que, o mais das vezes, se mantêm arraigadas nas esferas do espaço privado, ratifica a sensação de segurança de quem patrocina essa regressão da indiferença ao preconceito – ou à sua naturalização –, tornando os envolvidos diretos aptos apenas a desempenhar os atos, as tarefas e as falas estupidificantes que a sociedade exige deles. Os envolvidos hesitam entre a suposta elegância de jactar-se afirmando que o que o vem de baixo não os atinge e o círculo vicioso da várzea, onde é cada um por si enquanto o preconceito racial chuta as canelas dos desavisados. Em Racismo no Brasil e afetos correlatos (Conversê Edições, 2013) a escritora Cidinha da Silva se dispõe a discutir os dilemas relativos a esse estado de coisas. No que concerne ao nosso modelo de racismo, cuja anedota mais precisa é aquela – conquanto também seja perversa – segundo a qual cada brasileiro

Escritores negros na 62ª Feira do Livro de Porto Alegre: quantos e quais?

Escritores negros na 62ª Feira do Livro de Porto Alegre: quantos e quais? Ronald Augusto [1] No dia 07 de julho postei em minha página do facebook a seguinte indagação: quantos e quais escritores negros farão parte da 62ª Feira do Livro de Porto Alegre? Como é usual acontecer nessas ocasiões, alguém replicou: “mas escritor tem cor? ”. Ao que eu respondi, de pronto: “escritor tem cor, sexo, cpf e rg”. Desgraçadamente, concepções como essa, que não só eu defendo, mas também muitos outros, ainda provocam constrangimentos. Entretanto, o problema não é nosso se uma parcela de leitores e fruidores segue depositando confiança na crença anacrônica de uma “arte pura”. Recentemente tivemos a chance de testemunhar uma discussão muito importante a respeito da invisibilidade dos escritores negros relativamente às práticas seletivas de prestigiamento e de indiferença vigentes no sistema e no mercado literários. A esse propósito, evoco aqui a polêmica causada pela – para dizer o mín