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Mostrando postagens de Maio, 2014

vinho bom: bala de luis turiba

Antes de tratar do objeto desta resenha, isto é, o livro Bala, do poeta Luis Turiba, abro parêntese para uma breve rememoração (e como se verá mais adiante não nos desviará do foco inicial), rememoração que diz respeito à alegria que experimentei ao me deparar com Bric-a-Brac, revista brasiliense dos anos 90 dedicada à poesia e às demais formas de arte.             Com um design gráfico atento tanto à experimentação, quanto ao mais alto padrão visual estabelecido pelas publicações do período, Bric-a-Brac chegava afirmando o ecumenismo quer no campo estético, quer no campo das ideias. Para exemplificar até que ponto se entrelaçavam em suas páginas a mestiçagem cultural e a vocação pan-semiótica, destaco algumas colaborações do número de dezembro de 1990, vejamos: um poema de Haroldo de Campos; canção de Caetano Veloso; artigo de Paulinho da Viola; Antônio Risério levantando idéias “Para uma viagem poético-antropológica”; Carlos Ologunci jogando na mesa os búzios d’ “A influ…

cair de costas, outra leitura

A finalidade sem fim kantiana na poética de Ronald Augusto
Por Adriano Nunes [Tradutor e  poeta. Autor do livro "Laringes de Grafite" (Vidráguas, 2012) ]
Quando um livro são cinco, por onde começar? O que parece ser uma resposta fácil não é. A obra "Cair de costas" (Éblis, 2012) que reúne os cinco primeiros livros do poeta Ronald Augusto e um plus "scriptio defectiva" já provoca desde a sua sistematização um problema analítico: os livros surgem em um decrescendo temporal, isto é, começam pelo fim, numa armadilha literária e lógica que remete, a priori, à prima pergunta deste artigo: por onde começar? Se se arrisca a seguir a numeração sequencial das páginas far-se-á uma viagem de 1992 a 1983, isto é, regredir-se-á da obra de um poeta já maduro (diga-se aqui: com sua técnica bem delimitada, sua poética já identificada consigo enquanto labor e vontade de expressão artística, seu traço já marcante, próprio, autoral. Não que desde a obra inaugural não se perceba…

formas significantes

Jeanne Marie Gagnebin, numa passagem da palestra-ensaio “As formas literárias da filosofia”, se ocupa de modo mais detalhado de uma lista incompleta de formas literárias ou de estilos de escrita no interior da filosofia. Segundo a comentadora, essas formas se relacionam a duas circunstâncias, a saber, as condições históricas precisas em que ocorrem e a separação entre uma filosofia de caráter escolástico (Schulphilosophie) e uma filosofia de mundo ou cosmo-política (Weltphilosophie). Ambos os conceitos relativos aos tipos de exercício de filosofia são apresentados por Kant em Crítica da razão pura na perspectiva de “tentativas de filosofar”. Diante de um projeto arquitetônico (o filosófico) em permanente construção, “cujo edifício muitas vezes é tão diverso e tão mutável”, Kant admite que o que se pode fazer é tão só aprender a filosofar exercendo “o talento da razão na aplicação de seus princípios gerais em certas tentativas que se apresentam”. Sem a pretensão de corrigir o filósofo,…