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Mostrando postagens de Abril, 2017

versos de verdade

Versos de verdade Ricardo Silvestrin [1] A imprensa, atrás do fuxico literário, sempre martelou as motivações amorosas dos poemas de Quintana. O poeta tinha que didaticamente esclarecer: uma amada não é um ponto de chegada de um poema, mas um ponto de partida. Ou, como também escreveu, que não fazia versos para ti, mas versos de ti. A questão estética colocada por Quintana é o que está também em jogo nesse novo livro do poeta Ronald Augusto. Ou seja, mesmo que os poemas nasçam de uma motivação real, de alguém com nome, endereço e cpf, o que resulta como texto criativo é o que conta. Nesse sentido, num primeiro momento, salta aos olhos a fluidez com que cada poema do livro é lido. Contrasta com grande parte da produção do Ronald, com aquela sua arte que coloca pedras no caminho do leitor, propondo a quem o ler que se vire. Aqui, mesmo que, de quando em quando, uma outra palavra, uma ou outra referência exijam uma pausa para entender do que se trata, o texto é predom

contra a cafonice amorosa

Contra a cafonice amorosa Eduardo Vicentini de Medeiros [1] Cometer poemas carrega lá seus perigos. Quando a amada é alvo do verso então, avista-se tenebroso triângulo das bermudas com seus vértices de naufrágio: a cafonice, o sentimentalismo e o derrame lamuriante sem beiras nem eiras.  E cantar musa viva e poetisa, quem se atreve? Ronald Augusto o fez em “ À Ipásia que o espera ” cruzando incólume tais ameaças com língua atesada, vento de popa e verga firme. E quando a maré não estava pra peixe, rumou por terra, “oito horas e meia de viagem/ dentro de ônibus em noturna via”. Diga-se, de passagem, que Ronald articula seu périplo com requinte multimodal. Sua caixa de ferramentas é repleta de surpresas. Destaco um quarteto de pasmos e admirações. Começando pelos caligramas espalhados aqui e acolá, com aquele viço de coisa desde sempre provisória que lembra alegremente o caderno de notas que, ao que tudo indica, está sempre à mão do poeta (e de sua musa) pra conter jorros

Alguém virá

ALGUÉM VIRÁ quem virá lília ou manuel está contido em ipásia da grávida ipásia digo quem virá manuel ou lília o sonho de quem virá lília ou manuel em suas entranhas quem virá manuel ou lília dorme no cerro de ipásia alguém lília ou manuel vai surtir do encerro de ipásia surtirá de ipásia surtidora alguém manuel ou lília