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Mostrando postagens de Setembro, 2010

uma, duas palavras sobre (não) escrever um livro

Uma peça literária, por várias razões, é mais do que um volume entre outros volumes. Quando o leitor apalpa a lombada do livro e o desentranha da gaveta mortuária da estante da livraria, da biblioteca ou do sebo, algo se inaugura. Um livro é uma irredutível solução textual onde se concentram aspectos relativos a um trecho histórico e a uma visão de mundo, traduzidos em linguagem poeticamente funcional. Cada livro se presta a um lance sincrônico que, ao mesmo tempo, dá continuação e põe em xeque o legado. Antes de obedecer aos ditames do mercado livreiro-editorial, o livro é um gesto de autor, uma conquista. Isto é, por meio dessa obra literária o escritor põe em movimento um determinado projeto estético-construtivo. A opção de linguagem contida entre as capas do livro se constitui numa possibilidade de interpretação do mundo em que estamos imersos. A cada obra acrescentada ao percurso textual do candidato a escritor (sério) ou do autor experimentado (também s

no fio da linguagem

O simbolismo bauhaus de Sob a faca giratória A divisa carrolliana segundo a qual, no que toca à poesia, “a questão é fazer com que as palavras signifiquem tantas coisas diferentes”, preside a gestalt esotérica, ou o hermetismo compositivo de Péricles Prade. E em favor do que acabo de afirmar, servem de exemplo tanto os livros anteriores (não importando, inclusive, o gênero) deste polígrafo de imaginário radical, como a obra que agora é objeto do breve comentário. Por um momento, e pela via do contraste, submeto Sob a faca giratória a um jogo de plano e contra-plano com o hermetismo lato sensu da poesia de Orides Fontela (1940-1998). P ara ser mais preciso, a ntes opaca do que hermética, a linguagem de Orides também se impõe desafiadora, metálica. Seus poemas compõem um tipo de tratactus analógico acerca dos fenômenos, e estes acabam por ser representados como sombras luminosas que se descolam dos nomes que lhes designam. A poeta nos oferece esta sensação d