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Mostrando postagens de Outubro, 2012

Antimanual de instruções para flutuar

Prólogo travestido de poema; parapoema; operação duchampiana onde o discurso poético se interessa por sua própria desaparição e toca, portanto, a linha de fronteira da antipoesia; virulento tolicionário aos interessados em conquistar uma vida segura; enfim, o texto que situa o leitor na antessala do conjunto de poemas Use o assento para flutuar de Leo Gonçalves, parece exigir desse leitor que ele “pare à porta e cisme”. Sem recusar a noção de que um poema começa por onde termina, Leo Gonçalves – sabendo que diante da aparente impenetrabilidade do poema o fruidor anseia para que se abram suas portas de modo que ele seja introduzido nesse universo desconhecido – concebe a leitura como suspeição irônica diante dessas portas que estão sempre maliciosamente abertas. O texto de abertura justapõe uma série de sentenças e enunciados que se constituem numa espécie de manual de instruções de corte paródico cuja observância facultará uma vida de prudência ao cidadão resignado ou ao

Oliveira Silveira e a reunião de sua poesia

Naiara Rodrigues Silveira, filha de Oliveira Silveira Analisada e fruída em sua complexa totalidade, talvez se consiga demonstrar através da presente reunião, que Oliveira Silveira além de estar atento às questões históricas e sociais dos afro-brasileiros, também respondeu crítica e criativamente ao seu tempo-espaço porque não descurou quer das questões relativas à tradição poética (diacronia), quer das relativas à função poética (sincronia), ou antes, porque as entendeu sempre como valores vivos e em movimento, enfim, como algo que ele conquistou tendo em vista a formulação da sua linguagem em situação de relação com o ambiente literário que lhe tocou viver. Outro importante poeta brasileiro que às vezes é valorizado por esse viés regional, embora renovador e renovado, mas sem que sua poesia se defina integralmente por tal traço, é João Cabral de Melo Neto. Muitos dos seus livros, inegavelmente, andam em linha vizinha ao antropoético do Nordeste, mas jamais esbarram num

Oliveira Silveira – Obra reunida

Edição do Instituto Estadual do Livro (RS) Organização, apresentação e notas de Ronald Augusto Comemorando um arco de quase cinquenta anos de atividade poética do autor, pois Germinou , livro de estreia de Oliveira Silveira, surge em 1962, o Instituto Estadual do Livro (RS) publica Oliveira Silveira – Obra reunida . A presente reunião completa (o quanto possível), ao menos no que toca aos seus livros de poesia publicados, se reveste de fundamental importância. A obra, ao enfeixar onze livros que tiveram tiragens reduzidíssimas, quase artesanais, vem preencher uma lacuna de pesquisa bibliográfica e de fruição estética relativas a um percurso textual que, ao longo das últimas décadas, tem sido objeto de interesse tanto de escritores, críticos e professores universitários do Brasil e do exterior, quanto de jovens poetas e leitores interessados em aprofundar seu conhecimento na linguagem de Oliveira Silveira. Essa reunião servirá também para estabelecer comparativos e