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Mostrando postagens de Outubro, 2011

a compaixão mais forte

o poeta edson cruz O que é e já foi, um dia, o homem – ou o ego scriptor de – Edson Cruz, está muito bem presentificado via linguagem (sistema que se exaure e se renova a cada gesto poeticamente crucial) nesse conjunto de poemas intitulado Sambaqui . Se o poeta, parafraseando um trecho do poema “Caravana solitária”, por meio do desatino da linguagem, consegue “acariciar” o seu próprio destino, isso tem a ver com as limitações inerentes ao objeto verbal de que se serve, pois “as palavras não sabem/ nem saberão...” dar conta dos sentidos (e não do sentimento) do mundo. A poesia de Edson Cruz faz menção lateral à humildade (enquanto estilo poético) de Manuel Bandeira, uma compaixão mais forte, desonerada de qualquer martírio ou inação contemplativa. O poeta está comprometido e em ação, mas sempre com e via linguagem: “tantas intenções projetadas/ e continuamos a tatear/ redundâncias”. Edson faz crítica através da linguagem, isto é, através dos jubilosos equívocos semânticos que nutrem

a segunda parte da entrevista ao joão pedro wapler do Café

O seu mestre na poesia nacional eu sei que é Manuel Bandeira. Mas no campo internacional, qual o poeta que você tem mais identificação? Na perspectiva da figura do poeta-crítico, isto é, aquele sujeito que pensa as imposturas e as virtudes do fazer poético numa relação viva com a tradição, minha referência é Ezra Pound. Já em termos de singularidade de linguagem, isto é, os poemas realizados e contidos em livros, que deixo ao alcance da minha mão, cito Dante e Mallarmé. Você tem o seu trabalho solo como cantor/compositor e também faz parte dos poETs . Qual o prazer que a música lhe traz que é impossível de ser preenchido pela poesia? A convivência mesma com músicos, que são infinitamente menos chatos que poetas. A música me garante uma pausa saudável no verbal e na vaidade que, misturada à inteligência, vira desprezo. Seu trabalho como crítico é bastante prolífero. Você escreve com frequência no site Sibila e nos seus blogs Poesia Coisa Nenhuma e Poesia-Pau . Você acha que na pós-mode

pausa para o café

uma entrevista divertida que concedi ao poeta joão pedro wapler http://ocafe.com.br/ Você é poeta, músico, compositor, crítico literário e professor. A pergunta pode parecer um pouco conservadora, mas vai lá: em que ordem de importância essas atividades estão hierarquizadas na sua vida? Respondo com algum conservadorismo afetivo e ao mesmo tempo levando em conta questões objetivas. Ou seja, em função da antiguidade e de uma “educação dos cinco sentidos”, a poesia e a música seriam mais importantes, no entanto, nos últimos tempos tenho me aplicado mais na atividade crítica, inclusive porque tenho sido solicitado mais nesse aspecto. Na prática, hoje, todas são importantes, pois vou atendendo às demandas internas (minhas) e externas (alheias) que surgem a partir de cada vertente; há um momento para cada coisa, uma oportunidade para cada uma dessas personas. A poesia como gênero está, em muitas instâncias, mais próxima de outras manifestações artísticas do que da própria litera