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sem transigir com o tolerável e o fácil

Onde não há facilidade Ronald Augusto[1]

Para o leitor, o poema se apresenta, numa primeira aproximação, como que vertido em língua estranha, mas ao mesmo tempo remotamente familiar. Na comunicação poética, a imagem da leitura como algo rente ou similar à operação tradutória se impõe de modo decisivo. A comunicação poética pressupõe uma situação de embate com a dimensão da intraduzibilidade, do hermetismo, entendidos aqui como estilemas da condição de um limite disciplinador imposto pelo jogo de relações requerido ao poema. Mas tal dilema – a razoável impenetrabilidade da poesia, essa tópica dos “portões fechados”, como refere Denise Freitas em um poema do conjunto – se resolve, por outro lado, no momento em que o leitor-poeta assume a responsabilidade pela coautoria daquele texto por meio de um gesto de interpretação quase livre, uma vez que a estrutura recorrente do poema em alguma medida também determina o palmilhar da leitura. Todo esse processo resulta em uma espécie de tradução-le…

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