Poema escrito em versos decassílabos brancos, isto é, não rimados, cuja acentuação oscila entre heróica (as tônicas caem nas 6 a e 10 a sílabas) e sáfica ( tônicas nas 4 a , 8 a e 10 a sílabas). Contudo, no interior dos versos se constata, além de muitas correspondências fono-semânticas que mobilizam e potencializam o entrecho textual, a ocorrência de assonâncias, rimas toantes, tais como: membros / quedos , sentado/lago , ramos/manso , escravo/raios , furtiva/notívagas , etc. Em outro passo, o vislumbre de um virtual palíndromo misturado a mais assonâncias e traços aliterantes em / t /, quando o poeta sente o “gra T o aroma ” entre os “ T or T os ramos ”. Nos dois primeiros quartetos, também encontramos a interessante teia paronomástica “marmor/amor/mar”, que numa investida hermenêutica sem pretensão de ser exaustiva, autorizada, por sua vez, pela interpretação referencial do poema, se poderia ler, por exemplo, assim: o amor pertinaz enfrenta o mar iracundo – as resi...
Ronald Augusto é poeta e ensaísta. Licenciado em Filosofia pela UFRGS e Mestre em Letras (Teoria, Crítica e Comparatismo) pela mesma universidade. É autor de, entre outros, Puya (1987), Vá de Valha (1992), Confissões Aplicadas (2004), No Assoalho Duro (2007), Cair de Costas (2012), Oliveira Silveira: poesia reunida (2012), e Decupagens Assim (2012). É colunista da revista http://www.mallarmargens.com/; e escreve quinzenalmente para http://www.sul21.com.br/jornal/colunista do site Sul21.