Augusto dos Anjos é e não é o poeta do hediondo; é e não é um poeta kitsch ; é e não é um poeta barroco; tem um pé no pop e outro no cult. Por ser talvez o poeta mais popular da tradição poética brasileira, Augusto dos Anjos é de todos e é de ninguém. Só quando nos situamos poeticamente entre as capas do seu livro Eu (e a primeira pessoa do título trata-se de uma persona , isto é, de um símile “através do qual” o poeta faz soar uma voz) percebemos que Augusto dos Anjos se multiplica, na verdade, em outros eus . O paraibano Augusto dos Anjos (1884-1914) morre aos 30 anos. Seu único livro publicado, Eu (1912), aparece dois anos antes de sua morte. Augusto dos Anjos produz sua poesia num complexo enclave temporal de estilos poéticos e concepções de mundo. Sua formação de poeta incorpora, de um lado, os contributos do simbolismo e do parnasianismo e, de outro, se deixa contaminar (entre outras ilusões deterministas) pelo positivismo e pelo darwinismo. O filósofo alemão S...
Ronald Augusto é poeta e ensaísta. Licenciado em Filosofia pela UFRGS e Mestre em Letras (Teoria, Crítica e Comparatismo) pela mesma universidade. É autor de, entre outros, Puya (1987), Vá de Valha (1992), Confissões Aplicadas (2004), No Assoalho Duro (2007), Cair de Costas (2012), Oliveira Silveira: poesia reunida (2012), e Decupagens Assim (2012). É colunista da revista http://www.mallarmargens.com/; e escreve quinzenalmente para http://www.sul21.com.br/jornal/colunista do site Sul21.