Ronald Augusto [1] O diálogo platônico – mimese da “ação de dialogar” – enquanto forma literária filosófica constitui, talvez, o legado mais acabado da tradição do pensamento grego que, por seu turno, serve de matriz importante à filosofia do ocidente. Grosso modo, enquanto o que nos resta das obras, tanto dos que precederam a Platão, quanto dos que foram, mais ou menos, contemporâneos do filósofo, são referências ou fragmentos, dele, entretanto, temos um corpo expressivo de diálogos cuja autoria lhe é atribuída sem grande controvérsia. Mênon , objeto deste comentário breve e incompleto, é um diálogo ainda sob o impacto do pensamento e do estilo socráticos, isto é, não faz parte da produção considerada madura de Platão. É importante frisar também em relação à obra em tela que a empreitada tradutória de Maura Iglésias parte, à primeira vista, de dois pressupostos, a meu ver, acertados: de um lado o idioma de partida (o grego) se projeta sobre o idioma de chegada (o port...
Ronald Augusto é poeta e ensaísta. Licenciado em Filosofia pela UFRGS e Mestre em Letras (Teoria, Crítica e Comparatismo) pela mesma universidade. É autor de, entre outros, Puya (1987), Vá de Valha (1992), Confissões Aplicadas (2004), No Assoalho Duro (2007), Cair de Costas (2012), Oliveira Silveira: poesia reunida (2012), e Decupagens Assim (2012). É colunista da revista http://www.mallarmargens.com/; e escreve quinzenalmente para http://www.sul21.com.br/jornal/colunista do site Sul21.