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fortunate senex

vá de valha , na abordagem de ricardo pedrosa alves [Ricardo Pedrosa Alves (1970), autor de Desencantos mínimos (Iluminuras) e Barato (Medusa). Publicações em revistas e jornais de poesia, participações em eventos, Bienal, leituras etc. Vive em Guarapuava (PR), é professor de Ciência Política e faz doutorado em Letras na UFPR. ] benjamin e o anjo de costas de klee que não quer cores mas claro&escuro cair de costas do ronald catástrofe mas queda e não movimento ou, não continuidade mas gesto o um só da queda, mas não deserção pois cai de costas: o percurso cronológico contrariado impõe outra questão (que é na origem que termina a queda como se, também nascido do chão, e indo para o futuro, também se revertesse a caída): o atingido de frente ou, no mínimo, o que quer continuar de frente para o mundo dos vivos (e de costas para o dos mortos), certa consciência da queda (a conferir, a determinar) de quem morre&continua no mundo, ainda que. o nome? (em grego, o que...

vá de retro, hagiologia!

a poesia não é salvação de nada, primeiro porque não é feita por santos, mas por homens e mulheres precários;  só quem acreditava nisso era o leminski e os que, ultimamente, vêm escrevendo sua hagiografia; por outro lado se admitirmos que ela é salvação, ela só o será à revelia do que diz, por exemplo, guimarães rosa, isto é, à revelia de que o que de fato existe é tão-só "homem humano", essa coisa limitada e frágil, espremida entre os sentidos e a técnica; e não vejo como a poesia pode ser algo fora da figura do humano e suas contradições; acho que ligar a poesia ao tópico da salvação significa encarecer apenas uma das possibilidades de relacionamento com ela e as demais formas de arte; a poesia será salvação (placebo) para quem, em função do desejo ou do desespero, a quiser como salvação. eu também já depositei confiança nessa crença de que a poesia tornaria a vida suportável ou tolerável, mas, se olharmos de perto, vamos verificar que podemos nos servir de qualquer co...

a obscura poesia que veio de éfeso

Heráclito Meu propósito, nesse breve comentário [1] , é, a partir de algumas referências avançadas por Edward Hussey no ensaio “Heráclito” (em Primórdios da Filosofia Grega ), a propósito da forma do pensamento heraclitiano, chamar a atenção para a presença de aspectos da linguagem de Heráclito no trabalho poético-crítico de três autores fundamentais da tradição moderna e contemporânea da poesia, a saber, T. S. Eliot, Octavio Paz e Haroldo de Campos. Desde logo aviso ao leitor que o texto é incompleto e, em alguns momentos, não esconde seu caráter de esboço ou de rascunho. De saída é curioso notar, marginalmente, que embora Parmênides – também um pré-socrático como Heráclito – tenha materializado suas teses filosóficas em versos, isto é, tenha penetrado, pelo menos aparentemente, mais no terreno da poesia do que o próprio Heráclito (pois, ao que parece, Heráclito escreveu exclusivamente em prosa), no entanto, foi justamente a linguagem heraclitiana, ao contrário do qu...

correspondência para cair de costas

mais anotações de aula

[Roland Barthes, CRÍTICA E VERDADE , Ed. Perspectiva, p. 16-17] “O escritor é um experimentador público: ele varia o que recomeça; obstinado e infiel, só conhece uma arte: a do tema e variações. Nas variações, os combates, os valores, as ideologias, o tempo, a avidez de viver, de conhecer, de participar, de falar, em resumo, os conteúdos; mas, no tema, a obstinação das formas, a grande função significante do imaginário, isto é, a própria inteligência do mundo.” [a clássica distinção entre forma e conteúdo é apresentada por barthes em termos de “tema e variações”, isto é, tema =forma; variações =conteúdos; observe que é uma outra maneira de dizer (imagem reversa) que todos os conteúdos (ou seja, aquilo que a moral social exige ao artista), que todos os conteúdos já estão dados e, portanto, o que o artista tem a fazer é descobrir novas formas ou maneiras de como dizê-los; “o que a forma poética exige é apenas uma sequência regular e flexível, tão plástica quanto o próprio ...

mais uma sobre Cair de Costas

CAIR DE COSTAS (poesia 1992-1983) http://www.verbo21.com.br/v6/index.php/critica-rasteira-maio Sandro Ornellas  em resenha para o Cair de Costas Éblis, 2012. Cair de Costas , de Ronald Augusto, tem de ser lido como um esforço programático contra o beletrismo retórico de certa poesia mais reconhecível (como poesia) e contra o discurso do bom burguês embranquecido nos racismos brasileiros. Sendo ambos os esforços as duas faces da mesma moeda. Nos espinhosos versos de Ronald (que aqui reúne seus cinco primeiros livros de poemas), beletrismo e racismo são senha e contrassenha de uma mesma história que entende a transparência da comunicação como meio de hegemonia (também racial). Daí a tática do poeta: desnaturalizar vocábulos, escurecer significados e confrontar o senso comum (literário ou não) com uma sintaxe esburacada, proveniente de uma fala gaguejante somente discernível como um pretoguês poético. Por isso opta pela linguagem cheia de (re)quebras, arestas, fraturas ...

poetas maloqueiros e feministas

Breve entrevista que concedi ao poeta João Pedro Wapler, também colunista do website O Café. Mais em:   http://www.ocafe.com.br/2013/05/19/que-os-mortos-enterrem-seus-mortos/ - Qual a arte que mais instiga sua sensibilidade hoje?   O cinema, sem dúvida. É impressionante como o cinema levou apenas, mais ou menos, meio século para se firmar como arte autônoma, nesse curto período de tempo definiu e ensinou sua gramática ao apreciador. E a partir de um estilo de elipses radicais, conseguiu, no que toca ao quesito “contar uma história”, disputar a primazia narrativa com o romance. Nenhuma outra arte fez um percurso tão veloz. Ok, parte dessa velocidade deve ser creditada à dimensão industrial e tecnológica do cinema, mas isso em fim de contas depõe ainda a seu favor, pois os realizadores conseguiram criar obras primas mesmo sob a pressão dos tacanhos interesses meramente mercantis. - Vejamos, um escritor ou crítico é restrito ao âmbito literário e lá saca ...