Lendo Ronald Augusto Poesia de poeta “experimental” convida ao prazer da leitura tripla por Paulo Damin, escritor, professor e tradutor em Caxias do Sul. “Polêmico”, disse uma colega professora, quando o Ronald passou por Caxias, tempos atrás. Deve ser porque ele é um filósofo. Ou porque comentou a falta que a crítica faz pra literatura. Ou então porque o Ronald escreve versos “experimentais”, ou mesmo experimentais sem aspas. As ideias dele sobre crítica e literatura são fáceis de encontrar. Tem, por exemplo, uma charla literária que fizemos com ele, neste link . O que vim fazer é falar sobre ler os poemas do Ronald Augusto. Sabe aquela história de que é mais importante reler do que ler? Esse é o jogo na obra poética dele. Minha teoria é que todo poema do Ronald deve ser lido pelo menos três vezes. Na primeira, a gente fica com uma noção. Que nem entrever alguém de longe na praia, ou na cerração. A gente pensa: é bom isso, entendi. Vou ler de novo pra entender melhor umas coisa...
Ponciá Vicêncio e Conceição Evaristo, irmãs siamesmas? [publicado originalmente em https://gauchazh.clicrbs.com.br/cultura-e-lazer/livros/noticia/2024/04/conceicao-poncia-cluvi36l401d5012jz8r8e0gs.html ] Ronald Augusto 1 Proponho aqui uma leitura que admite a seguinte premissa: há, de um lado, a pessoa civil Conceição Evaristo e, de outro, a personagem Ponciá Vicêncio, entre ambas, como que mediando e interpretando as conjunções e disjunções dessa relação menos real do que ficcional, emerge o ego scriptor , isto é, essa coisa que, na ausência de melhor definição, poderia ser referida como o agente de uma poética, algo que existe ou que acontece apenas quando o processo narrativo se atualiza em linguagem. Na introdução à obra, Falando de Ponciá Vicêncio... , Conceição traduz essa ideia como “o ato da escrita”. O ego scriptor de Conceição Evaristo funciona como uma entidade que existe apenas enquanto performatiza um discurso estético-literário. O agente do ato da escr...