de um blog ao outro




A linguagem da poesia não é, mesmo, para qualquer um, no sentido em que ela teria sido inventada para ir ao encontro, ou atender à demanda, de um determinado público; não. O movimento é inverso. A poesia engendra o seu público e, se necessário, mais adiante o descarta. De fato, não existe o "público apenas leitor" de poesia porque não há, a rigor, o falante de poesia como há, por exemplo, o falante de inglês, de alemão, de iorubá, de português, etc. É neste sentido que a poesia, segundo Carlos Drummond de Andrade, se converte nesta linguagem de alguns instantes. Uma língua-linguagem efêmera que se inventa ao inventar o seu leitor-falante e os modelos de sensibilidade que ele desentranha de si no agora impreciso e irredutível da leitura criativa.


Comentários

língua-linguagem/ leitor-falante... criações de tempo no espaço.

Nossa, se pode fazer um seminário sobre este parágrafo, sobre este dizer, dará muito o que ler e falar.

Beijos
denise freitas disse…
leio sempre...

um beijo
como sempre muito lúcidas, as suas análises. Eu, que tive o meu percurso de vida, como outros tiveram o seu, não sei se o Ronald Augusto terá em mente o alcance das suas palavras. A verdade é uma cara que surge com muitas máscaras, por muitas janelas, mas você acompanha-a sempre. Admiro muito este seu saber.
Abraços

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