resposta insuficiente



“o que é poesia?” é a grande questão que move os poetas, mesmo quando aparentemente ela não vem à tona do campo de significação de seus poemas; a resposta mais fácil, resposta de bolso, talvez seja a que diz que a poesia é quando a linguagem para nela mesma, ou seja, quando o leitor percebe que a linguagem se dá em espetáculo, quando o leitor é obrigado a ver/ler o que está de fato escrito/inscrito ante seus olhos e não o que ele imagina estar sendo dito por meio da linguagem, em outras palavras, o poeta não quer dizer, ele já disse, já materializou um objeto estético-verbal significante, e que é uma coisa polissêmica; mas se alguém nos perguntasse, por exemplo: “o que é a escultura?”. eu responderia de modo sintético apontando um espécime: o pensador de rodin. sim, mas como se faz escultura? ah, pois é. “o que é poesia?” é uma pergunta que parece supor também isso: “como se faz?” é necessário conviver com os poemas para saber o que é poesia, e não confundi-la [a poesia] com os efeitos causados, que são da ordem do impreciso (cada um vai perceber a coisa de um jeito, isto é, cada um vai inventar um significado para aquela figura de um homem nu pensando; por outro lado, a escultura está ali presentificada e, a rigor, à vista de todos objetivamente), daí outra definição, lema das minhas oficinas: poesia é a precisão do impreciso, uma forma estética, um objeto lingual, que implica em uma materialidade (uma imagem, uma metáfora nova) para o impreciso, feito uma espécie de tradução; eis minha resposta sempre insuficiente.

Comentários

A linguagem é a janela, a poesia é o vão.

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