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uma assinatura monumental

Incluída entre as melhores obras arquitetônicas de 2008 por cinco especialistas — os críticos Luis Fernández-Galiano, Frederick Cooper, William J. R. Curtis, Albert Ferre e Juan Miguel Hernández Leon —, a nova sede da Fundação Iberê Camargo, projeto do arquiteto português Álvaro Siza, é a primeira edificação construída em Porto Alegre para este fim, isto porque as instituições até então existentes, como, por exemplo, o Museu de Arte do Rio Grande do Sul (Margs), ocupam prédios históricos criados originalmente visando outros objetivos. Entre as demais obras arquitetônicas selecionadas figuram muitos edifícios destinados a apresentações e acontecimentos públicos de cunho artístico-cultural e também esportivo, é o caso, para citar um exemplo, do Estádio Olímpico de Pequim, o “Ninho de Pássaro”, como desde então se tornou conhecido. Por outro lado, a lista dos eruditos também contempla obras voltadas para as questões tradicionais de habitação e de modelos urbanos que comportem inovações, p...

uma vírgula irritante

Em vida, Anotações à margem (1994) foi o último livro individual que Oliveira Silveira viu publicado e incorporado ao conjunto de sua obra [1] . É impressionante que seu recente desaparecimento feche um ciclo de quinze anos sem que mais nenhum livro seu apenas viesse à luz. E isto é de espantar, ainda mais se levarmos em consideração, por um lado, a qualidade de sua produção poética — referida e solicitada mais além do que aqui — e, por outro, a facilidade e a regularidade com que poetas e prosadores ruins publicam suas obras sem que quaisquer obstáculos lhes sejam ofertados. Suspeito que, hoje, qualquer um consegue reunir num arco de tempo parecido, no mínimo uns sete ou oito títulos (mas, se tudo correr bem, ninguém os guardará na memória). Registre-se que embora Oliveira não possa ser relacionado como um poeta de inspiração caudalosa, tampouco era um sujeito que se vangloriasse ou abusasse da esterilidade. Era um artista em movimento. Não raro, em nossos encontros, relata...

a substância moral dos vencedores de prêmios literários

O artista de segunda categoria se submete tanto aos elogios quanto à opinião ruim ou desvantajosa a respeito do seu trabalho. Mas este artista, todavia, não desceu até o mais baixo tanto quanto um seu equivalente insiste em fazê-lo, e sem desprezar alguma perícia nesse exercício. Refiro-me, aqui, ao representante daquela classe de artistas cuja vulgaridade já não se importa mais com as alternativas dos elogios e das opiniões desfavoráveis que sua obra eventualmente venha a suscitar. Pois esse consumado artista medíocre do nosso tempo se socorre antes das gordas somas em dinheiro oferecidas pelos prêmios e da publicidade decorrente do que de um reconhecimento estético adjacente a um julgamento crítico devotado ao seu trabalho quer seja feito pelo público em geral, quer seja por um conjunto de especialistas que, para a saúde de todos, sempre serão questionados e questionáveis. Se, na condição de vencedor — e agora o nosso sujeito afivela a máscara do escritor —, o seu...

oliveira silveira, 1941-2009

No ano de 1995 organizei a mini-antologia Revista negra que apareceu encartada no corpo da revista Porto & Vírgula , publicação — infelizmente hoje extinta — ligada à Secretaria Municipal de Cultura e dedicada às artes e às questões socioculturais. Na tentativa de contribuir para que a vertente da literatura negra se beneficiasse de um permanente diálogo de formas e de pontos de vista, a Revista negra reuniu alguns poetas com profundas diferenças entre si: Jorge Fróes, João Batista Rodrigues, Maria Helena Vagas da Silveira, Paulo Ricardo de Moraes. Como ponto alto da breve reunião daqueles percursos textuais, incluí alguns exemplares da obra do poeta Oliveira Silveira. Gostaria, agora, de apenas citar o trecho final do texto de apresentação que à época escrevi para a referida publicação: “Na origem todos nós somos, por assim dizer, as ramificações, os desvios dessa complexa árvore Oliveira. Isto não nos causa o menor embaraço, pelo contrário, tal influência nos qualifica a...

curso de verão

poesia-pau informa: Abertas as inscrições para o Curso de verão Transgressões poéticas Com Ronald Augusto De 06 a 22 de janeiro de 2009, terças e quintas das 19h às 21h na Palavraria – Livraria-Café Informações & Inscrições: pelos telefones 3336 2969 e 9948 0569 dacostara@editoraeblis.com Nos seis encontros em que o curso se estrutura, será demonstrado todo um pervagar transgressivo no interior da tradição literária. Três tópicos compõem o curso, a saber: a) a transgressão discursiva; b) a transgressão da visualidade; e c) a transgressão da intransitividade. Um tópico a cada dois encontros. Os sucessos e os fracassos da alta modernidade e da contemporaneidade ajudaram a levar ao limite invenções discursivas como as de Joyce, Guimarães Rosa e Paulo Leminski. Esses autores experimentam um barroquismo onde a hibridez se torna uma categoria importante no literário e, inclusive, na concepção moderna de cultura. A partir de Mallarmé a poesia, de uma arte eminentemente temporal, passa a...

cidinha, leia só pra mim!

cidinha da silva , salgado maranhão, conceição evaristo e eu, juiz de fora, 2008 O século 19 é o momento onde o leitor, como diz Walter Benjamin, assume o seu “papel de cliente”. Em outras palavras, temos um mercado editorial que se expande e que identifica neste segmento humano tanto um público potencialmente fiel como uma classe de interlocutores que por diversos modos dará continuação às produções da série literária. Talvez por isso mesmo, não obstante a existência de grandes poetas (Baudelaire, Rimbaud, Poe, Cruz e Sousa...), a prosa tenha se consagrado como o gênero por excelência do período. Com efeito, desde então o tempo vem provando que os prosadores têm uma noção mais ou menos clara da clientela a que servem, ao contrário dos poetas que, no se disporem a apresentar sua identidade como “a voz” por detrás da linguagem, mesmo assim costumam apreciar mais o solilóquio do que qualquer outra coisa. Ou seja, o leitor lhe parece uma entidade excessiva ou um mal necessário com o qual...

romancistas contemporâneos mascam clichês

A literatura participa do conjunto das manifestações artísticas. Já nem sei se uma afirmação como essa ainda provoca algum embaraço à maioria das grandes editoras. Mas aqui a reitero e digo ainda que a literatura degenera quando dá as costas ao seu impulso de arte, ou quando se censura nela essa vocação para a multiplicidade de sentidos. Com efeito, para a literatura importa mais a releitura do que a leitura. Para o ponto de vista atacadista do mercado livreiro-editorial interessa a “leitura” enquanto confirmação do apetite de um público consumidor que demanda o livro na perspectiva de uma mercadoria-entretenimento. E a ampliação da venda/leitura per capita de livros é a razão de ser, a carcaça conceitual ao redor da qual volitam as boas e más intenções sejam de editoras, sejam de ocasionais políticas públicas, ou ainda de vozes que repetem clichês decadentistas ou multiculturais em torno ao assunto. No entanto, o que conforma a literatura, numa época multimídia como a atual, ainda co...